Bate-bola
Marcos Caruso
O homem multifacetado
Revista Higienópolis: Como surgiu a idéia de montar a peça "As Pontes de Madison"?
Marcos Caruso: Fui convidado há mais ou menos dois anos pelo Charles Geraldi, que é o produtor da peça, para produzir este espetáculo, mas era um momento em que eu estava com novela, não podia. Daí nós fomos empurrando as datas, enfim, e resolvemos estrear agora, em 2009. Mas é um projeto que já tem pelo menos uns dois anos na minha cabeça. É um projeto de muita responsabilidade, porque você está contando uma história de amor, uma história que eu nunca fiz no teatro. É a primeira vez que faço um drama romântico, já fiz algumas coisas no teatro, mas sempre com a comédia por trás. A peça também tem momentos de bom humor, mas não é uma comédia, é um drama romântico. É um trabalho completamente diferente de tudo o que fiz nos meus 35 anos de carreira. Isso é uma responsabilidade. A segunda responsabilidade é levar para o teatro um texto que já foi feito no cinema, inevitavelmente haverá uma comparação. É um grande desafio para mim nesses dois sentidos. O processo está sendo fabuloso. Primeiro porque a gente está trabalhando com pessoas muito conhecidas, queridas, que têm uma química muito boa no trabalho. Jussara Freire, por exemplo, é a 15ª vez que trabalho com ela. Com a Luciene Adami já trabalhei como diretor, já a dirigi, já fiz novela com ela. Com o Paulo Rogério Lopes também já fiz novela. A Regina Galdino já me dirigiu em Intimidade Indecente, ou seja, nós estamos rodeados de muito carinho, de muita amizade, cumplicidade. Isso é uma avenida que se abre para você desfilar.

E em relação às dificuldades de patrocínio? Mesmo você sendo ator da Rede Globo passa por isso?
Tenho 35 anos de profissão, e tive duas ou três peças na minha vida que foram patrocinadas. Uma foi Honra, que eu fiz com a Regina Duarte, as outras foram Intimidade Indecente e Operação Abafa, e agora, As Pontes de Madison. Para as outras todas não tive patrocínio nenhum. Alguns apoios, mas patrocínio não. Então posso falar tranquilamente que o teatro para mim sempre foi feito de uma forma artesanal, feito com o coração. E hoje em dia é muito difícil fazer uma peça sem patrocínio. Tudo encareceu, houve uma inflação enorme nos preços do teatro com essa coisa do patrocínio. Se você não tem patrocínio, não tem como viabilizar o espetáculo. A Lei Rouanet está se modificando desde a época que apareceu, mas nunca é a ideal para nós, mesmo assim, tenho que agradecer o patrocínio das Lojas Marisa, porque sem isso, essa peça jamais estaria em cartaz.

Você vai ficar em cartaz com a peça As Pontes de Madison primeiramente aqui em São Paulo. O publico paulista é diferente do carioca?
Existe uma grande diferença. O publico carioca é mais relaxado, descarta com mais facilidade. O paulista se torna mais exigente, porque aprofunda. O riso vem de dentro e o choro também vem de dentro. E o carioca tem uma coisa mais descartável. Ri e tudo bem; chora, se emociona e tudo bem. O paulista ri, chora e pensa por que. Mas acho que é uma postura mesmo de cidade. O paulista é mais vertical, como a cidade é mais vertical. Ele verticaliza suas emoções. O carioca horizontaliza suas emoções.

Você acha que o teatro tem uma função social?
Tem uma função de diversão, de emoção, e alguns momentos de reflexão. Tem uma função social não no sentido de modificar alguma coisa em curto prazo, mas no sentido de fazer com que o ser humano reflita sobre si mesmo e sobre seu meio. Na medida em que reflito sobre minhas angústias, sobre minhas necessidades, perdas, e sobre o meio em que vivo, posso ser um agente modificador. Posso me modificar e modificar meu meio.

Você afirmou numa entrevista que o teatro está acima de tudo, até da sua família. É verdade?
Está sim. Claro que eu participo das coisas da minha família, mas se eu tiver que escolher entre a família e o teatro, opto pelo teatro. Não tenha dúvida nenhuma. Claro, agora eu cheguei num ponto da minha vida em que posso e
Mônica Waldvogel
Uma mente brilhante, uma grande mulher
Inteligente, bonita, alto astral e uma profissional de primeiro time, a jornalista Mônica Waldvogel - apresentadora do Jornal das Dez da Globonews e do programa Saia Justa no GNT - enfrenta uma rotina como a de muitos paulistanos. Lê os jornais durante o café da manhã; responde aos e-mails; participa de reuniões; faz mil coisas em um dia que deveria ter 48 horas. Também enfrenta longos congestionamentos e ainda arruma tempo para se dedicar à família, andar a pé pelo bairro de Higienópolis, onde mora, cuidar da saúde e curtir a vida. Nesta entrevista, ela fala sobre as alegrias da profissão, os novos projetos e revela quais são seus lugares preferidos em Higienópolis.

Revista de Higienópolis - Quando e como você escolheu o jornalismo?
Mônica Waldvogel - Bem criança. Foi a minha primeira opção profissional, jamais mudei. Encantei-me com a definição de jornalismo que ouvi de uma prima mais velha que estava fazendo vestibular. Ela me disse que jornalista é a pessoa que vai aos lugares onde as coisas estão acontecendo, vê tudo, pergunta tudo, e depois escreve no jornal para todos saberem o que aconteceu. Bacana, não? Até hoje essa função de mensageira me encanta e me move.

Já são quantos anos de profissão? Você se sente realizada?
Quase trinta anos, contando desde o comecinho, com os primeiros trabalhos como estagiária. A primeira matéria foi publicada no jornalzinho da Livraria Cultura. Depois trabalhei como freelance em diversas publicações setoriais até conseguir meu primeiro emprego como repórter na TV Manchete. De lá fui para a TV Globo, depois para o SBT. Voltei à Globo, trabalhei na Record, toquei um projeto independente exibido pelo SBT e, finalmente, retornei ao jornalismo da Globo no "Jornal das Dez" da Globonews. Ao mesmo tempo, há seis anos, faço o "Saia Justa" no GNT, um programa que me dá muitas alegrias e uma sensação de ter inaugurado um espaço para o debate entre e sobre mulheres sem paralelo na televisão brasileira.

O que você ainda pretende fazer profissionalmente?
Recentemente estive em Israel para fazer dois programas de reportagem para a Globonews sobre os 60 anos da fundação do Estado de Israel. Sair em campo outra vez atrás de informações e compreensão sobre um mundo tão diferente mexeu comigo. Grandes reportagens são o sonho de todo jornalista. É nessas horas que a gente acha que a vida faz sentido, que a vocação está em exercício, que se nasceu para aquilo. Taí o que eu gostaria de fazer mais e sempre.

Se pudesse voltar no tempo e mudar alguma coisa, o que seria?
Teria ido morar por uns tempos no exterior. Acho que é uma excelente experiência para dominar uma língua estrangeira e para se habituar a outras culturas, outros temas. Quando tive oportunidade de ser correspondente nos Estados Unidos, a convite da Globo, estava numa fase da vida em que era impossível aceitar. Tinha recém-casado, meu filho era adolescente, a vida estava se reorganizando de uma forma que não caberia um projeto que desestruturasse tanto a vida de uma nova família que estava se formando. Não me arrependo nem um pouco de ter recusado a proposta. Mas, como você me faz essa pergunta...percebo que sim, morar fora era algo que deveria ter feito quando podia.

Qual a sua relação com o bairro de Higienópolis?
Higienópolis é o meu lugar no planeta Terra. É onde me sinto bem, em casa. Todo santo dia fico feliz quando cruzo de volta as fronteiras do bairro, que tem essa característica única de ser cosmopolita como toda a cidade e manter um certo ar de comunidade, que se reconhece e se regozija com a sensação de pertencimento. E o mais gostoso de tudo: poder fazer tudo a pé. Nunca tiro o carro da garagem para circular no bairro. Nem em dia de chuva.

Lugares que gosta e freqüenta na região
Restaurantes: Carlota, Ici, La Brasserie, Roma, Jardim di Napoli, Café Arábia, Veridiana e Braz
Lojas de roupa/sapato: Osklen, no shopping Higienópolis
Academia: Cl