Destaque
Praça Villaboim:
um charme!
Tarde de sol em São Paulo. Céu de brigadeiro e pronto: todo mundo vai para a rua. Ou para a praça. A Villaboim um dos pontos mais badalados de Higienópolis, fica lotada de gente bonita, de todas as idades. Um bando de garotos desce a ladeira da rua Alagoas de bicicleta, a toda velocidade. Hábeis, param sem problemas no sinal, ao lado da tradicionalíssima padaria Barcelona. Um casal que leva os filhos para brincar no pequeno playground se empolga e encoraja os jovens ciclistas: "Muito bem, garotos!". Os bares ao redor da praça estão cheios, e todo mundo que passa fazendo sua caminhada de fim-de-semana dá no mínimo uns passos no meio das belas árvores e flores da pequena Villaboim - pequena, mas cheia de charme. Bem cuidada, com bancos de madeira cobertos por caramanchões e lampiões com ar de antigamente, o lugar tem um quê de interior. Ou de Europa, como preferem alguns. O destaque vai para a gaiola aberta que atrai tudo que é tipo de passarinho: são maritacas, sabiás, bem-te-vis, cambasicas, beija-flores, rolinhas, chupins, sanhaços, saíras amarelas e de vez em quando até um alma de gato, bastante raro. Ninguém resiste a dar uma paradinha para olhar - da calçada, como pede a placa afixada pelo seu criador, Cleber Borges, que deu a gaiola de presente à praça e cuida dela com frequência. Voando baixo - Até o Super-Homem resolveu dar um rasante por aqui. Lucca, do alto dos seus "quase" dois anos, fantasia completa do Homem de Aço, brinca no areal vigiado pela mãe, Luciana, e o avô, Acácio. Luciana mora em Perdizes, mas traz o filho para brincar de vez em quando, nas visitas ao sogro. "Podia ter mais brinquedos. E também não deviam autorizar a entrada de cachorros no areal". reclama. Já o vovozão, todo orgulhoso, câmera fotográfica em punho, acha tudo ótimo. "Adoro isto aqui, moro há anos em Higienópolis. Agora estou na rua Aracaju e freqüento vários lugares da praça: os restaurantes japoneses, a Barcelona, que é o máximo, compro discos na Musical Box, revistas na banca", comenta. "O bom desse lugar é que chego do trabalho, guardo o carro na garagem e não preciso mais dele. Faço tudo a pé". Mas Acácio reconhece que a Villaboim já viveu dias de mais glamour. Na época do Café Romano, por exemplo, que saiu de lá há oito anos. O café era reduto do alto tucanato. O ex-presidente, Fernando Henrique Cardoso, o falecido ministro das Comunicações, Sergio Motta e outros eram habitués. "Num domingo de manhã, presenciei um grupo de meninas comemorando o aniversário de uma delas numa mesa na calçada. Um trio de cordas tocava ao lado da mesa enquanto o garçom servia champanhe. Isso acabou, né? Talvez agora, com a chegada do Le Vin Bistrô, um público mais chique e mais velho volte a circular por aqui. Mas se não voltar, tudo bem, a praça é uma delícia sempre". Suely Faria, dona da Oui Tapetes, uma das lojas mais antigas do pedaço (26 anos), concorda com Acácio. "De fato a Villaboim mudou bastante. O auge aqui foi entre 1980 e 1996, mais ou menos. Tínhamos grifes como a Paola da Vinci e o Baccos que foram embora. Hoje a rotatividade aumentou muito", diz. Suely que credita o abre-fecha de estabelecimentos ao alto valor dos aluguéis. "As pessoas vêm para cá achando que é o maná dos deuses, mas é um pouco ilusório. Só quem consegue permanecer por muito tempo são os lugares em que os próprios donos tomam conta", completa. Os velhinhos - É o caso da Floricultura Shiro, há 31 anos vendendo algumas das orquídeas e dos arranjos mais lindos da cidade. O velho Shiro está um pouco afastado, mas a filha Érica está sempre lá. Ao lado da Oui, a filha de Suely, Patrícia, cuida da sua Hortelã, loja de brinquedos educativos, há 16 anos, sempre com uma preocupação pedagógica. A arqui-famosa Barcelona, para muitos a padaria número 1 de São Paulo, é outro exemplo. O simpático "seu" Miguel, um dos donos, não só está sempre presente, como faz questão de bater um papinho com os clientes mais assíduos do lado de fora, com direito até a bancar a babá dos cac